Lá estava ele... um caminhante no deserto. Ele sentia sede. Ele tinha fome, mas ele prosseguia às escassas forças que retinha... Ele olhava para os céus. Ele procurava, atento, por singela formação de nuvens, que preanunciassem águas vivas para matar a sua sede, e assim, recebesse algum alento. Ele mirava seus olhos ao horizonte em busca de um porto seguro, de um oásis que acalentasse a sua alma ferida das desilusões vividas. Ela - a sua alma - ainda passeava, mas, cabisbaixa, sentia o fio de sua esperança esvair-se, com seus pés nus, ao chão, de uma areia escaldante. De Alma moribunda, caiu-lhe o semblante. Prosseguia mui fragilmente, alimentando-se apenas das lágrimas e suores que lhe corriam à boca, como um sal insípido. Sem expressão alguma de sentimentos, que nem a dor parecia mais abatê-lo - por esperanças todas esvaídas da alma - Ele caminhava, meio-homem, sem mais olhar aos céus; nem desejos de saciar-se. Não havia mais desejos em sua alma. Nem sonhos. Nem vida. Nem nada.
Ele caiu...
Ele caiu sem resistir. Ele rendeu o seu espírito à existência. Ele desistiu de lutar.
E ele dormia...
Ele não fingia dor. Ele sentia dor... Ele sentia vazio. Ele sentia-se só, e tão só que até a solidão presenteou-lhe com o abandono naquele instante de rendição, ao nada que o enamorava.
Ela o sondava o tempo todo. Ela por ele chorava e dava-lhe de suas lagrimas a beber: Era quando ele recobrava um pouco de suas forças e prosseguia, mesmo às escassas esperança, mesmo sem ter mais forças para olhar aos céus e procurar avistar alguma pequenina nuvem que lhe acrescentasse um pequeno sorriso. Ela estava presente em sua vida. Ele não se dava conta... sentia-se completamente desolado naquele deserto ao calor do meio-dia.
Caído ao pó, beijando-o o que logo seria, sentiu-se levemente tocado por uma brisa que lhe vinha do norte. Ele, então, definitivamente, deu adeus à existência ingrata e tão sofrida. Novamente, ao ser tocado tão sutilmente pela brisa, sentiu o refrigério de deixar de existir... e amou mais a morte que a vida. Ele sentiu que tudo se findava naquele momento. Ele acreditou que o fim de todas as coisas era melhor que prolongar o tempo às vãs esperanças de dias melhores.
Ele acordou...
Ele pensou estar no paraíso. E a brisa, novamente, tocou-lhe... e lhe era como sombra, e como água fresca de cisternas das quais provara quando jovem de espírito, cheio de sonhos e de vitalidades. Ele levantou-se. Ela o levantou. Ele abriu os olhos. Ela lhe fez enxergar. Ele dava o primeiro passo... e ela o direcionava. Então ele compreendeu o milagre da vida.
Ele olhou para os céus, cheio de vida, e agradeceu. Ele observou o mover das nuvens; fitou seus olhos atentamente ao seu movimento na expansão dos céus, e elas se desenhavam... Thalita kume, a filha do silêncio e da ressurreição.
Ele ergueu-se... e glorificou a Vida.
By Marcelo GD
