domingo, 17 de junho de 2012

O Retorno



O retorno à simplicidade é o mal que cura.


Eu tenho que me esvaziar de mim, Senhor.
Quebrar minhas colunas... me desarmar.
Tenho que deixar de ser tudo aquilo que acreditei,
Das mentiras que amei, das pisadas aventureiras,
Dos lamentos forjados em busca de um indulto – Inexistente!
De tudo em que me tornei.
Eu preciso é de ti, Senhor.
Eu preciso é do teu verdadeiro amor.
De deixar de ser para me ver melhor
E o melhor daquilo que realmente sou...
De quem, um dia, desprezei quando me neguei.

Não neguei a ti nem o teu amor; neguei-me a mim mesmo.
E, por desprezar quem era, refiz-me dessa mentira armada,
De zelo protetor, de cuidados tolos...
Eis me agora, estou relutante em reencontrar-me...
Com o temor de ter medo de mim... de quem eu era e realmente já não sou.
Mas eu quero...
Eu quero me desarmar; eu quero quebrar as colunas
Desse tolo homem que me tornei...
Quando, em um dia, de loucura qualquer, me deixei, me refiz...
E desfiz a tua obra prima configurada no pó.





By Marcelo GD






 

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