Se o machado da impiedade, da tristeza, da injustiça, do abandono lhe foi posto à raiz, eis que lhe ressurgirá o renovo. Permita-se! Orvalhos são gotas de fé. Orvalho, doce e suave brisa molhada, que revigora flores na alma; flores - com esperança mordaz de só mais um dia - não permita. Não! não permita que venham a perecer! Não se permita apenas mais um dia, e o derradeiro de sequidão. Faça com que sejam liberadas. Faça dos orvalhos gotas de fé.
Aprendi que, em meio a tanta dor, quando acreditamos, estamos plantando uma sementinha de fé, uma sementinha que, a princípio, pode parece tão frágil quanto a nossa perspectiva de vencer, de acreditar que tudo vai passar; e, tão pequenina essa sementinha que até desconhecemos o seu poder sobre as grandes duvidas que, ao coração ferido, faz pairar trevas sem esperança alguma de luz. Mas, aos olhos, sendo tão pequenina como um grão de mostarda, reage, mas parece de pouca duração pelo seu aspecto inicialmente débil, como de uma passageira e fugaz esperança de um tolo sonhador, que de quimeras acaba por alimenta-se das quireras ao travesseiro de confidencias e lágrimas noturnas. É, inicialmente, de pouca relevância o seu valor, ou o que ela pode fazer. Ela nos surpreenderá! Ela não nos toma de súbita paixão que de repente se esvazia e consome a alma na grandeza da paixão que ludibria, mas ela nos vem mansa, calma, serena, sem turbação no espírito. Ela é discreta, desprezada, às vezes... mas poderosa. Ela é pequena, grande, incompreensível. Ela – a fé - julgada como louca por não haver conceitos lógicos que à razão satisfaça seu EU. Aprendi que ela germina dos sonhos que brotam na alma, dos sonhos que cultivamos em cada amanhecer de um novo dia - mesmo sem saber que cremos, posto que vestida de sua descrição, gloriosa, põe-se discreta e pequena o grão de mostarda.
Por acreditarmos, ainda que estejamos no deserto, ao calor do meio-dia, ela está ali... VIVA!!! Cauterizando as nossas feridas, profundas, escondidas, sentidas e vivenciadas numa existência outrora sem vida, até que, certo dia, uma lágrima vertida corre pela sua face. E, ao tocar seus lábios, você logo senti na alma algo diferente acontecendo: ela não corre mais amarguras que te magoaram e dores todas que enfrentou. Agora ela passeia pelo seu rosto com as boas novas de dias melhores. Proclama à sua alma todo mal que enfrentou, a fim de que não se esqueça dos dias de sofrimento. Na alma, uma sensação de alivio: o seu cativeiro foi destruído! De gratidão você grita de felicidade... de um júbilo glorioso que faz a sua alma flutuar nas nuvens, junto aos pássaros da primavera.
É a nossa fé que faz emergir, das profundezas, a esperança de vermos a rocha e os rochedos. E, das profundidades de um espírito abatido, onde se alojam momentos de luto, de perda e dor, renascem sonhos perdidos, capturados, às vezes reinventados por conta de nosso caminho que nem sempre é o que desejamos trilhar... Ah! Mas quando acreditarmos de verdade, tudo se fará possível, talvez, de início, não concreto em nosso mundo secular que contrasta e afronta sonhos da alma como um poderoso oponente. Isso é para aprendermos uma outra lição: a da paciência transcendental! Todavia, mais real que o nunca e mais verdadeiro que o sempre que assim se estabelece na alma a eternidade; faz-se expressa no coração como um estigma, ou um sinal que nos destina.
Sei que o sonho é bom, e, se bem forjado pela dor na alma, toma novos conteúdos e reivindicações; desfaz-se de outras cores, porém; ainda assim ele é bom.
Sonhar é plantar para o amanhã a felicidade de hoje. É fazer descer orvalhos num dia triste. Sonhar é regar o próprio sonho.
Mas, uma coisa é capaz e somente ela pode acabar com seus sonhos: é quando você para de acreditar, de confiar em si mesmo, de por a sua fé em ação e, em outros casos, permiti-la por outra mão. Não o permita: Mãos estranhas a descrever o seu destino, a sua fortuna, a sua força, a sua missão e a sua felicidade. Permita-se aos orvalhos de sua própria fé!
Por meio dela, faça emanar certezas ainda maiores. Faça fluir convicções inabaláveis na alma, refazendo universos mais sólidos do SER. E, vivifica-los! Torná-los tão reais quanto tão verdadeiro é - e está - em nós, aquilo em que verdadeiramente acreditamos... de valor único, absoluto e nosso!
By Marcelo GD

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